<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-686667878173579436</id><updated>2011-08-31T13:11:29.109-07:00</updated><category term='outono'/><category term='férias'/><category term='motas'/><category term='literatura poesia  literature general poetry literatura litérature général open litérature ouvert poesia poesia em geral poetry poésie aberta'/><title type='text'>por assim dizer</title><subtitle type='html'>Alugam-se Poemas</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://porassimdizer.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686667878173579436/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://porassimdizer.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>O Idiota</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16131866748637841674</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://1.bp.blogspot.com/-LA72R_Z3uXs/Tl6VaJ6IuXI/AAAAAAAAADY/iana0oGRJf8/s220/IMG_1330.JPG'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>13</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-686667878173579436.post-619569725046177128</id><published>2011-07-20T09:13:00.000-07:00</published><updated>2011-07-30T17:08:02.493-07:00</updated><title type='text'>O Poema da Minha Vida</title><content type='html'>Então decidi escrever um poema. Pousei o charro no cinzeiro, permitindo aos meus olhos planearem a contemplação do universo crepuscular que seria o meu quarto. Não era uma cedência total ao sentido, mas uma bela permuta: em troca sonhei entender meia dúzia de explicações para a génese do mundo, todas elas igual e fantasticamente plausíveis. No mercado dos sentidos, saber como tudo começou é um produto raro e valioso, e eu consegui-o por uma pechincha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À luz do que soube durante aquele bocadito revelador, a metáfora do ovo e da galinha não faz sentido nenhum, porquanto se prende com uma questão temporal, quando não há antes nem depois, há um agora infinito que não depende de nós, nunca dependeu nem nunca dependerá, mas lá está, nunca também não faz sentido, como também não faz sentido conjugar verbos, pretéritos, futuros e condicionais, um mais-que-perfeito, não vá o diabo tecê-las, mas conjugar o quê quando tudo é infinitivo, tudo é gerúndio, não houve início nem haverá fim porque o universo é um verbo eterno, uma acção perpétua, e pronto, pelo que deu para perceber é isto. E, sim, foi o que me ocorreu naquela altura luminosa, foi a metáfora da galinha e do ovo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas no preciso momento em que acabava de me aborrecer com isto, o que não dissera e o que dissera a mais reuniram-se num estranho círculo de lava e de sangue: agora sei que a lava representava o irrevelado, a dor potencial e a omissão; o sangue, as solenes vitórias e as consagradíssimas derrotas. O meu juízo isolado levara-me a crer que se tratava também de uma aliança de funestos arrependimentos de estirpes perdidas nos sulcos do tempo, rasgando pretéritos no predicado da vida, forçando sentido nas palavras que aqui deixo cair, sim, largo-as aqui, que escrever também é esquecer as coisas no papel, digo que a vida tem predicado, digo que arrependimentos formam alianças, do imperfeito ao mais-que-perfeito, sem ponto final, digo uns símbolos estranhos, um vigor de gerúndio, trocando os atributos às coisas, fugindo ao assunto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E pronto, foi esse oceano de opções e esta maldita liberdade de escolha que me levaram a esta insana decisão. Foi o meu ser perdido no vil deslumbre do exterior que se deixou abraçar pelos tentáculos das geometrias insondáveis da possibilidade. Não. Isto não é um poema. Nem fui eu que o decidi.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/686667878173579436-619569725046177128?l=porassimdizer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://porassimdizer.blogspot.com/feeds/619569725046177128/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=686667878173579436&amp;postID=619569725046177128' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686667878173579436/posts/default/619569725046177128'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686667878173579436/posts/default/619569725046177128'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://porassimdizer.blogspot.com/2011/07/o-poema-da-minha-vida.html' title='O Poema da Minha Vida'/><author><name>O Idiota</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16131866748637841674</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://1.bp.blogspot.com/-LA72R_Z3uXs/Tl6VaJ6IuXI/AAAAAAAAADY/iana0oGRJf8/s220/IMG_1330.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-686667878173579436.post-1670343792321250642</id><published>2011-05-16T06:42:00.000-07:00</published><updated>2011-05-16T06:47:37.725-07:00</updated><title type='text'>O Meu Lema É Não Sei</title><content type='html'>O meu lema é não sei.&lt;br /&gt;Hesitação, a minha destreza.&lt;br /&gt;Mas em nada saber -&lt;br /&gt;Não obstante uma leve beleza -&lt;br /&gt;Há um grande vão, feio de se ver:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O meu lema é não sei.&lt;br /&gt;Nunca tenho a certeza,&lt;br /&gt;Nem mesmo a de que errei,&lt;br /&gt;E julgo torpe proeza&lt;br /&gt;Que a dúvida desabe,&lt;br /&gt;E pensar-se que se sabe.&lt;br /&gt;Sua alteza, agora é rei,&lt;br /&gt;Não há quem o aldrabe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o meu lema é não sei.&lt;br /&gt;Nunca estou seguro da verdade,&lt;br /&gt;Nem nunca acreditei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vês?&lt;br /&gt;O meu lema é não sei.&lt;br /&gt;A que fim assim chegarei?&lt;br /&gt;Verdades não são vitórias,&lt;br /&gt;São antes falsas glórias,&lt;br /&gt;Majestades provisórias,&lt;br /&gt;Então só por hoje será rei,&lt;br /&gt;Amanhã? Eu não o saberei.&lt;br /&gt;O meu lema é não sei,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem fim como a História,&lt;br /&gt;Essa verdade espectacular&lt;br /&gt;E tão boa de acreditar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vês?&lt;br /&gt;Nunca acabo de pensar,&lt;br /&gt;Nem sei como hei-de acabar.&lt;br /&gt;Houvesse só um começo&lt;br /&gt;E também eu seria rei.&lt;br /&gt;Mas assim o que mereço?&lt;br /&gt;Não me adoro nem me odeio,&lt;br /&gt;Porquanto não me conheço.&lt;br /&gt;O meu meio não existe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim cada fim triste&lt;br /&gt;Será sempre um novo início,&lt;br /&gt;E nunca um precipício.&lt;br /&gt;O meu lema é não sei,&lt;br /&gt;Que saber é um desperdício.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/686667878173579436-1670343792321250642?l=porassimdizer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://porassimdizer.blogspot.com/feeds/1670343792321250642/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=686667878173579436&amp;postID=1670343792321250642' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686667878173579436/posts/default/1670343792321250642'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686667878173579436/posts/default/1670343792321250642'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://porassimdizer.blogspot.com/2011/05/o-meu-lema-e-nao-sei.html' title='O Meu Lema É Não Sei'/><author><name>O Idiota</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16131866748637841674</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://1.bp.blogspot.com/-LA72R_Z3uXs/Tl6VaJ6IuXI/AAAAAAAAADY/iana0oGRJf8/s220/IMG_1330.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-686667878173579436.post-7575991537581048870</id><published>2011-01-29T15:45:00.000-08:00</published><updated>2011-01-29T15:49:15.969-08:00</updated><title type='text'>Música No Coração: Porque É, Que Será</title><content type='html'>Ser homem o suficiente para governar e administrar um projecto, até ao fim, consumir as suas imperfeições, sorver os seus defeitos. Ser homem o suficiente para assumir como minha qualquer canção que apanhe no ar, porque a música não é mais do que isso, vento fino, delicadíssimo, que se nos escorrega pela cara, pelos olhos, pela boca, pelo nariz, pelos ouvidos, aos sentidos, que se nos foge entre os dedos, Vou fugir de ti, apanha o que puderes, e que, ulterior a nós, nos oferece apenas um vislumbre de si, Anda atrás de mim. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Poucos conhecem os seus mistérios harmónicos, e aqueles que se dedicam a decifrá-los, os músicos cristos, pregam-na ao resto da humanidade, É esta a nossa religião, acreditamos na vibração, o som é a nossa forma de comunhão espiritual, e claro que Afinal sois músicos ou padres?, mas ainda assim, não esqueçamos, a música não é mais do que uma brisa divina muitíssimo anterior aos homens, que, cegos, ainda acreditam às vezes que são não só fazedores, mas também criadores de uma coisa que muito mais provável e verosimelmente os houvera criado a eles em algum etéreo momento em que se sentia entediada com o excesso da sua própria beleza, merecendo por isso, com o mais profundo sentido de mérito, que sejamos homens o suficiente para governar um projecto nosso, não por direito, mas porque disso nos tornámos merecedores, que o tempo é o nosso mais merecido sacrifício, e que, pelo menos eu, porquanto pelos outros não poderei nunca escrevinhar assim, na minha condição de suficientemente homem, apanhe qualquer melodia no ar e lhe dê formas mais ou menos perceptíveis ao ainda-se-bem-que-já-não-tanto paupérrimo ouvido humano, sim, três vivas à juventude, da nota-morfema à melodia-palavra, da melodia-palavra à harmonia-linguagem, e agora é só esse o desígnio da minha existência. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Diz a douta boca do povo que, e porque não, um homem só o é depois de fazer um filho, escrever um livro e plantar uma árvore, não necessariamente por esta ordem, o meu subconsciente é que assim o quis, portanto perguntem-me, Já plantaste uma árvore?, de modos que me podem perguntar, Já escreveste um livro?, se vos aprouver, estejam à vontade, mas o meu filho é este aqui, inteiramente saído de mim, Sim fui eu que o fiz, mas ele já existia muito antes de mim.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/686667878173579436-7575991537581048870?l=porassimdizer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://porassimdizer.blogspot.com/feeds/7575991537581048870/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=686667878173579436&amp;postID=7575991537581048870' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686667878173579436/posts/default/7575991537581048870'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686667878173579436/posts/default/7575991537581048870'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://porassimdizer.blogspot.com/2011/01/musica-no-coracao-porque-e-que-sera.html' title='Música No Coração: Porque É, Que Será'/><author><name>O Idiota</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16131866748637841674</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://1.bp.blogspot.com/-LA72R_Z3uXs/Tl6VaJ6IuXI/AAAAAAAAADY/iana0oGRJf8/s220/IMG_1330.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-686667878173579436.post-1624914904836004940</id><published>2010-11-19T10:29:00.000-08:00</published><updated>2011-07-05T18:24:15.584-07:00</updated><title type='text'>Trágica Aposição De Doze Poemas Fungíveis</title><content type='html'>&lt;br&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Um.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Eis o mais puro estado de felicidade;&lt;br /&gt;Um cão que não sabe ganir (nem uivar).&lt;br /&gt;Não sabe por nunca necessitar,&lt;br /&gt;Por isso nunca aprendeu.&lt;br /&gt;Ah!, Mas uivasse ele como eu!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pronto, pronto, pronto,&lt;br /&gt;Parem o poema que isto foi só p’ra rimar,&lt;br /&gt;Que, a mim, a vida já me doeu,&lt;br /&gt;E assim sou feliz como o ar,&lt;br /&gt;Feliz como quem nunca viveu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Dois.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Dói-me um bocado o pouco que temos, sequestradora de carne: um poeta, um palhaço e um clandestino, isto sem contar com o negrume insustentável do teu haurir; mas entre o isto ambíguo e o tudo isto cénico, tudo que há são interpretações armadilhadas ao teu cuidado, &lt;br /&gt;E ao teu ser devorador&lt;br /&gt;Pois devoras o meu amor&lt;br /&gt;E ele não pára de crescer&lt;br /&gt;Pois tu não paras de o comer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Três.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Eu sei que há uma luz cabal que te persegue e protege e envolve e põe tudo de volta no seu devido lugar, mas será que se olhasses&lt;br /&gt; O mundo&lt;br /&gt;Verias, &lt;br /&gt;Repararias nesta melodia prodigiosamente lúgubre de pessoas, &lt;br /&gt;Um mar surdo de gente que não se consegue ouvir.&lt;br /&gt;Abençoa este profundo leito para nele e na sua profunda inocência cresceres comigo, aprenderes a agir e a seres profunda e paciente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Quatro.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Estas lágrimas não vão a lado nenhum pois o amor deixará de ser suficiente. O que significa um dia? O que significa alguém voltar? É absurdo; tudo anda em círculos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Cinco.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;A necessidade idónea é uma via magicamente plausível para a fuga do meu fluxo ideal de esquecer borgeano, o do memorável primata, indelével ao ser, ao cortar o prostíbulo frio, ao gérmen da eternidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Seis.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;A renda de ideias deu nó; forçámo-la e ela quebrou-se; intensifiquemos, pois, então, mais ainda o ditoso trabalho nas reservas metafísicas, nos campos de concentração psíquicos, mas&lt;br /&gt;Pois senão que um mas revolucionário,&lt;br /&gt;Um mas quase perdido, quase desesperado,&lt;br /&gt;Mas não de oposição,&lt;br /&gt;Um mas de concessão, de não ser capaz,&lt;br /&gt;O admitir, e os seus ecos de paz, &lt;br /&gt;sua pomba branca,&lt;br /&gt;sua brancura bestial,&lt;br /&gt;Portanto&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao mais inextrincável emaranhar,&lt;br /&gt;Às horas tácitas do desespero,&lt;br /&gt;Ósculos. &lt;br /&gt;Longos Ósculos Imperiais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Sete.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Então é este o nojo original: os amares mais leves levantam ainda murmúrios nesta caverna de alma; Um elogio ao opróbrio de ser: As nossas línguas primatas em espiral e um vazio de promessa a perfazer o teu silêncio deambulatório em pezinhos de lã porquanto o nosso dardejar em segredo e sorrir não aceitava credos nem consequências durante o fôlego das canções que&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Oito.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Mas neste útero de passividade&lt;br /&gt;Estamos longe de vãs preocupações&lt;br /&gt;Por isso decretamos que o amor prevalece.&lt;br /&gt; O pensamento deslocado é,&lt;br /&gt; Por vezes um aliado, deixando&lt;br /&gt; Os sentidos vaguearem à mercê do mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Nove.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Então os sentidos quiseram o céu,&lt;br /&gt;Tudo à volta do que sucumbira, ascendeu.&lt;br /&gt; O céu permaneceu perfeito&lt;br /&gt; Implorando que o fitassem&lt;br /&gt; E o brindassem com lágrimas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Podíamos dar um sentido frio às palavras, um sentido frio às palavras repetidas e ao nosso velho bulício de asas e abrir caminhos imaginados,&lt;br /&gt; Entorpecidos,&lt;br /&gt;Vemos a vida latejar.&lt;br /&gt; Estáticos,&lt;br /&gt;Contemplamos este plácido festim de festejar terreno, a nossa vaniloquente loucura erradicada no hipotálamo a comandar a resistência psíquica, Velhos retornados da guerra da imaginação, Velhos sobreviventes moribundos já sem asas nem bulício, pois ao&lt;br /&gt;Lembrar-me destas velhas rotinas canções pessoas desejos Velhos anjos da memória Velhas turbulências harmoniosas que, mesmo por entre os olhares automáticos das hostes, detinham em si aquelas horas embebidas em neurótico rastejar a mais ninguém que não a nós mesmos, &lt;br /&gt;Não fosse a vida um longo e aprazível corredor de camélias, verbos, ónus, tempestades e&lt;br /&gt;Interlúdios de jazz; insana tertúlia de saídas reinventadas na escuridão porquanto se tentavam os mais inóspitos destinos ao fazerem-nos parecer sequer possíveis.&lt;br /&gt; O passar dos anos&lt;br /&gt;Sem grandes consequências,&lt;br /&gt; E fantasmas de nós, sem louros,&lt;br /&gt; A vegetarem a solidão&lt;br /&gt; E o monstruoso pânico do silêncio,&lt;br /&gt; Nesta nossa dependência aos extremos de nós&lt;br /&gt; Neste escasso cortejo de diamantes&lt;br /&gt;  E vielas feridas&lt;br /&gt; Que por vezes os nossos atalhos&lt;br /&gt;  Sensoriais&lt;br /&gt; Desperdiçam-se-nos ao atemorizador &lt;br /&gt; Respirar de sonhos que compõe os segundos&lt;br /&gt;   Os minutos&lt;br /&gt;   As horas&lt;br /&gt;   E os dias&lt;br /&gt; Porquanto o tempo humano é um fogo fátuo,&lt;br /&gt; Uma mágoa trágica&lt;br /&gt; A engolir-nos em rasgos sofridos&lt;br /&gt; De testemunha&lt;br /&gt; E existência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Dez.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; Acostumemo-nos ao ocaso irreflectido das coisas ante esta dinâmica animal e dêmos graças aos nossos vórtices do pensamento, esses pântanos inviolados, que o nosso mais tépido exílio nos afina a solidão dos sentidos com esta fria verborreia visceral, crua testemunha da lembrança,&lt;br /&gt; Como me tinha esquecido eu, destas magníficas e antigas notas suspensas fora do compasso emocional conquanto esta musicalidade de metáfora se me esgotara, ameaçando-me a produtividade com a sua lentidão intemporal, a sua bem literal moção lenta de universo desconstruído que nos assombrava o crepúsculo, a ebriedade e a retina da Primavera,&lt;br /&gt;  Por todas,&lt;br /&gt;Sim.&lt;br /&gt;  Por todas as Primaveras que não vivemos. Que sejam elas a metamorfose de pensamento em palavra, pois é na luz desse instante que me quero encontrar no acordar perfeito,&lt;br /&gt;  À nulidade ecuménica&lt;br /&gt;Essa inquestionável carpete metafísica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt; Onze.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; Que confusão de sons, confusão de repente,&lt;br /&gt;  Confusão de noites,&lt;br /&gt; E confusão de súbito todos os fonemas deste saxofone são morfemas com cheiro, aspirantes a sintagma, de uma outra palestra sinestésica, de encontros de outros sentidos, tipo, Que confusão de noites perdidas em asperezas de cores, pintamos estes plurais na nossa memória porque, sim, - não porque sim mas porque, sim, - nestes caminhos íngremes do traduzir o pensamento em palavras somos estranhos promíscuos na berma da estrada, caixeiros-viajantes felizes de fome e sem fome de felicidade sorrindo ao crepúsculo, pois depois, pois então,&lt;br /&gt; Pois agora todos os sonhos estão livres&lt;br /&gt;  De significado,&lt;br /&gt;  Brandos por estarem feridos,&lt;br /&gt;Com as suas feridas a serem feridas de nobres sonhos brandos por estarem feridos, Mas, porém, e porquanto dispomos da amável e elegante divisibilidade entre o ser e o estar, todos eles estão livres de significado,&lt;br /&gt;  nobres sonhos feridos, pois concerteza, pois senão&lt;br /&gt; Pois senão questionemo-nos pela última vez na sarjeta, nas bermas hostis deste singular intelecto, à medida que alguns momentos se vão transformando em saudades, a ampulheta da juventude é a mesma da velhice.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt; Doze.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; Justiça de mãos; imagens sombrias na escuridão do dia claro que nos mantém embriagados com estes paradoxos da razão, e que, neste racionalismo quase religioso, nos priva o instinto do prazer incauto e o empanturra de ilusão, neste pestanejar e acordar perfeito, minuciosa e requintadamente ofuscado pela luz liberta pela sensacional e fantástica, se bem que torturante, metamorfose do pensamento em palavras que cirandam sem rumo por estas páginas fora, sem mais orientação que não o descuido e a imprudência, Uma orientação de nobreza intelectual, pois claro, que a nós, tradutores do pensamento puro, o falhanço seja certeiro como a morte e a sua imparcial garantia nos corra no sangue frio da veia ou vaso de sucessos futuros que não chegarão a vir,&lt;br /&gt;  -para quê,&lt;br /&gt;Se o sucesso é fraco e a mais corrompível de todas as coisas, mas nós, poetas menores, somos abençoados com a miséria que nos liberta do lado nefasto da loucura e do seu poder, assim como um caos anónimo e disperso libertara os sonhos do significado que os oprimia violentamente, e, e este e não é um e de consequência, é um e de adição, vazia como o efeito que vai anunciar, e todos foram felizes, não para sempre, mas viveram até uma idade avançada mesmo à luz da demografia envelhecida do mundo novo, pronto, o que já é bem bom, não nos acusem agora de finais tristes, mas, não esqueçamos, o mais importante é que todos felicíssimos&lt;br /&gt;No vazio do futuro inacreditável&lt;br /&gt;No doce vácuo da existência do presente imaturo&lt;br /&gt;Que nos livra do sempre e do nunca, do tudo e do nada, do bem e do mal,&lt;br /&gt;Amem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/686667878173579436-1624914904836004940?l=porassimdizer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://porassimdizer.blogspot.com/feeds/1624914904836004940/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=686667878173579436&amp;postID=1624914904836004940' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686667878173579436/posts/default/1624914904836004940'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686667878173579436/posts/default/1624914904836004940'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://porassimdizer.blogspot.com/2010/11/tragica-aposicao-de-doze-poemas.html' title='Trágica Aposição De Doze Poemas Fungíveis'/><author><name>O Idiota</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16131866748637841674</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://1.bp.blogspot.com/-LA72R_Z3uXs/Tl6VaJ6IuXI/AAAAAAAAADY/iana0oGRJf8/s220/IMG_1330.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-686667878173579436.post-2169737088706970260</id><published>2010-11-03T13:13:00.000-07:00</published><updated>2010-11-03T13:14:55.719-07:00</updated><title type='text'>Lábios</title><content type='html'>São lábios, senhora, são lábios&lt;br /&gt;São sábios nacos de carne sua&lt;br /&gt;Fraquejam na hora do beijo&lt;br /&gt;Sobejam-me agora que vejo&lt;br /&gt;Que doces fastios são na verdade&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os meus sentidos frios, o seu coração sem idade,&lt;br /&gt;Peregrinos sombrios da oração crua do corpo&lt;br /&gt;Borboleteando andorinos no torpor salivado dos sonhos,&lt;br /&gt;Nestes sonhos medonhos de vão, orgia e liberdade,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pelo que quando somos só lábios&lt;br /&gt;Aparecem logo aí umas mil mãos&lt;br /&gt;Todas a levantarem-nos do chão&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nós no ar, nós mais do que a levitar&lt;br /&gt;Nós com tesão numa curva do tempo&lt;br /&gt;O coração ao relento, as pernas ao ar,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sendo que quando somos só lábios&lt;br /&gt;Desfocamos como se fotografias&lt;br /&gt;Onde detemos pedaços de bons dias&lt;br /&gt;Que é um bom eufemismo para utopias,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Disse-mo um enorme minuto vazio,&lt;br /&gt;Grandíssimo, puto, que gentio de tempo,&lt;br /&gt;Um adágio rômbico de línguas,&lt;br /&gt;Um fio de apetite que se solta&lt;br /&gt;E um gajo que o aguente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São lábios, senhora, são lábios&lt;br /&gt;São fáceis nacos de carne sua&lt;br /&gt;Fraquejam na hora do beijo&lt;br /&gt;Sobejam-me agora que vejo&lt;br /&gt;Quão doces e frios são na verdade&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pelos meus queridos gentios de emoção, de afinidade&lt;br /&gt;Que meu sombrio coração tem com lábios e com vaidade,&lt;br /&gt;Borboleteando andorinos no torpor salivado dos sonhos,&lt;br /&gt;Nestes sonhos medonhos de vão, orgia e liberdade,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pelo que quando somos só lábios&lt;br /&gt;Aparecem logo aí umas mil mãos&lt;br /&gt;Todas a levantarem-nos do chão&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nós no ar, nós mais do que a levitar&lt;br /&gt;Nós com tesão numa curva do tempo&lt;br /&gt;O coração ao relento, as pernas ao ar,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sendo que quando somos só lábios&lt;br /&gt;Desfocamos como se fotografias&lt;br /&gt;Onde detemos pedaços de bons dias&lt;br /&gt;Que é um bom eufemismo para utopias,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Disse-mo um enorme minuto vazio,&lt;br /&gt;Grandíssimo, puto, que gentio de tempo,&lt;br /&gt;Um adágio rômbico de línguas,&lt;br /&gt;Deusas de carne e réguas para sonhos, pá.&lt;br /&gt;Um trapézio de lábios.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/686667878173579436-2169737088706970260?l=porassimdizer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://porassimdizer.blogspot.com/feeds/2169737088706970260/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=686667878173579436&amp;postID=2169737088706970260' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686667878173579436/posts/default/2169737088706970260'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686667878173579436/posts/default/2169737088706970260'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://porassimdizer.blogspot.com/2010/11/labios.html' title='Lábios'/><author><name>O Idiota</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16131866748637841674</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://1.bp.blogspot.com/-LA72R_Z3uXs/Tl6VaJ6IuXI/AAAAAAAAADY/iana0oGRJf8/s220/IMG_1330.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-686667878173579436.post-7548191524210281457</id><published>2009-11-13T17:44:00.000-08:00</published><updated>2009-11-17T19:06:54.378-08:00</updated><title type='text'>A Gramática do Silêncio</title><content type='html'>&lt;br&gt;gosto de silêncio durante o período de gestação das palavras, gosto de lágrimas sujas, de lágrimas que deviam ter caído antes, sim, antigas, gosto de ti nua, um caos de letras, uma desordem de morfemas, e aí dá-se a mão ao tempo, significados em cravo a abrirem-se no ventre, e assiste-se então ao parto de uma ou outra oração, uma mais bonita, outra mais feia, são assim os apetites labirínticos da hereditariedade, mas espera porque ainda há placenta de silêncio por todo lado e sangue nas palavras, por amor de alguma coisa, alguém que me lave estas crianças, que as embrulhe em poemas confortáveis, e que lhes chegue um bocadinho de contexto, que agora saímos de nós, espera, espera que agora saímos de nós para assistirmos ao nascimento do Verbo, nós fora de nós e uma orquestra de classes gramaticais de propósito para ver um pequeno vocábulo nascer, será menino ou menina, nós fora de nós e o os nossos corpos, metonímias, as nossas mãos metáforas e por isso dá-se um forte abraço ao tempo, apertam-se tristezas para que depois as lágrimas caiam sujas, dado que as lágrimas sujas não precisam de palavras, nem de frases nem de textos, deviam ter caído antes e por isso são a maior unidade de significação no âmbito da mundividência semântica, contêm em si todos os contextos e aquele silêncio que eu gosto durante o período de gestação das palavras, gosto de poder ouvir os sonzinhos da linguagem no ventre, as letras, fetos dispersos, olha um morfema, olha significado, o primeiro sintagma, e então dá-se a mão ao tempo, não, minto, abraça-se o tempo porque as mãos metáforas, apertam-se significados no peito para que um dia as lágrimas caiam sujas por não terem caído antes, para que um dia todos os contextos, cada lágrima um texto, cada lágrima um romance, cada lágrima uma linguagem, e eu possa assistir ao período de gestação das palavras com todo o pormenor do seu aprazível silêncio, um jardinzinho de verbetes, um quintal de antíteses, um canteirozito de conjunções, vida e linguagem, dá-se a mão ao tempo, as mãos uma metáfora do tempo, e aí então uma melíflua anarquia de letrinhas, uma doce desordem de morfemas, mas espera porque coisas humanas no enunciado recém-nascido, prosopopeias?, alguém que me bote aqui os olhos um bocadinho que agora saimos de nós, como?, tipo, a voar, com asas de oxímoros, com a aerodinâmica das catacreses, sim, a voar a uma velocidade adverbial e uma orquestra de epítetos só para o nascimento do menino Verbo, que nós fora de nós a assitir a tudo, a ver as lágrimas que se sujaram por não terem caído antes serem livros gigantes e a linguagem a sair da ubiquidade para o espaço, porque o tempo demiurgo e eu um abraço que&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/686667878173579436-7548191524210281457?l=porassimdizer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://porassimdizer.blogspot.com/feeds/7548191524210281457/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=686667878173579436&amp;postID=7548191524210281457' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686667878173579436/posts/default/7548191524210281457'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686667878173579436/posts/default/7548191524210281457'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://porassimdizer.blogspot.com/2009/11/gramatica-do-silencio.html' title='A Gramática do Silêncio'/><author><name>O Idiota</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16131866748637841674</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://1.bp.blogspot.com/-LA72R_Z3uXs/Tl6VaJ6IuXI/AAAAAAAAADY/iana0oGRJf8/s220/IMG_1330.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-686667878173579436.post-1301167464596611008</id><published>2009-06-07T14:57:00.000-07:00</published><updated>2011-08-03T12:00:51.751-07:00</updated><title type='text'>Estranho Acordo de Aforismos e Outras Significâncias</title><content type='html'>&lt;br&gt;A primeira coisa que vejo num poema é uma mulher. Nas curvas insidiosas das palavras vejo ancas; no som plástico de um verso, uma pose feminina, um olhar e perversão. Qualquer romance merece uma rosa entre um homem e uma mulher; a linguagem tem direito a ver-nos fornicar, pois é tão necessária quanto nós. &lt;br /&gt; &lt;br&gt;Mas juro que não tenho piça quando a primeira coisa que ouço na melodia de um sintagma é uma mulher; prometo-lhe-me sem homem.&lt;br /&gt; &lt;br&gt;O que acontece é que à fraqueza da carne se sucede um sonho de pernas, línguas e mamas, os cabelos e a sintaxe dos broches; a verdade é que o brilho do suor nas tuas costas tem mais palavras do que isto ou qualquer outra poesia que já tenha lido, e talvez por isso possa ver nele, mais nitidamente, a semântica impossível que vou forçando na mulher de um poema. &lt;br /&gt; &lt;br&gt;O brilho do teu suor ou de qualquer outra excreção tua: a sobrevalorização do amor consiste no ardil do desperdício e na arte do excesso: um alexandrino que significa ser mais que do poesia, um sáfico que significa ser mais do que toda a literatura; a hermenêutica animal com um tesão incomensurável assiste ao nascer de uma flor, ao humedecer de uma cona, ouve a mudez dos espasmos do teu corpo, enamorados pela manivérsia do hedonismo, perdidos no dolo do prazer.&lt;br /&gt; &lt;br&gt;E, enfim, é por tudo isso que somos um poema bonito na obediência cega a preceito da beleza. Somos nós as palavras encerradas no suor que se te brilha nas costas e somos nós os espasmos do teu corpo quando te vens, perdidos na vaidade dos sentidos. Só que eu sou eu e tu não existes.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/686667878173579436-1301167464596611008?l=porassimdizer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://porassimdizer.blogspot.com/feeds/1301167464596611008/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=686667878173579436&amp;postID=1301167464596611008' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686667878173579436/posts/default/1301167464596611008'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686667878173579436/posts/default/1301167464596611008'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://porassimdizer.blogspot.com/2009/06/estranho-acordo-de-aforismos-e-outras.html' title='Estranho Acordo de Aforismos e Outras Significâncias'/><author><name>O Idiota</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16131866748637841674</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://1.bp.blogspot.com/-LA72R_Z3uXs/Tl6VaJ6IuXI/AAAAAAAAADY/iana0oGRJf8/s220/IMG_1330.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-686667878173579436.post-5795178716216981534</id><published>2009-05-25T16:16:00.000-07:00</published><updated>2009-05-26T09:04:11.749-07:00</updated><title type='text'>Flores</title><content type='html'>&lt;br&gt;É mais da parte da noite que – orquídeas – me desligo e ouço então o plasma das montanhas a fluir no breu atómico, nos olhos, no vanilóquio, no verbo acreditar, no ar da deusa nocturna, na noite teocrática que – magnólias – também se desliga, ouve aquilo e, leve como neve, entra-se-me pelo nariz escamoteado adentro, ali mesmo, nos olhos negros da noite, no mero vanilóquio de chuva de verão, no ar que – camélias – se me entra nas fossas, e não se vê, acredita-se, desloca-se a fé; breu atómico nos negros olhos, horas precisas e um auto de crença. Uma sereia subtil, flauta de uma estrela longínqua, frases para pendurar, espíritos à volta do pescoço, jorrando sorrisos, os lábios a arquejar, pálido no meu espírito juntamente com um sim quando as – açucenas – chamas gélidas desse fogo frio me invadiram o corpo, coleando virilhas pálidas, dedos dos pés torcidos e um respirar fundo, ao sorver as chamas nos pulmões, e gritei lançando fogo quando a dor mais terrível se transformou no prazer mais requintado e – jades – ejaculei, um último grito, trémulas revelações nos espasmos dos orgasmos dos feridos que os mantiam sãos e sóbrios sob olhares sombrios, obscuras contemplações, negra exposição, negra plateia, acto de amor na – dálias – supersticiosa noite, acto de poesia no escuro absoluto, ao erguer o meu peso de asas, olhos de acreditar, a minha pesada liberdade do fundo deste enorme pacto emocional.&lt;br /&gt; &lt;br&gt;É raro acontecerem sonhos feitos do brilho do sol, mas uma lentidão quase poética testemunha este acto de amor no breu, na retina preta, surge um império de silêncio, mantemos intacta a dignidade do verbo com os – tulipas - braços da alma sempre bem abertos. Súbitas proclamações da mais bela estirpe de tristeza pairam no tempo, formam paredes de energia estóica e um tecto de família e perdão; ainda assim, de um assim cobreado, serpentino, labiríntico, anjos testemunham graça e urgência no caminhar e um poema preto, analítico, - isménias -  uma elegância de testemunha, e o porquê de a nossa mudez já não nos conseguir ouvir, ilusões lutam pelo poder, parte-se uma cadeia metafísica, uma sequência de dias felizes, carinho e juventude, promessa de que nenhum erro será alguma vez abandonado, não enquanto a nossa percepção alada e a nossa esperança continuarem a dançar neste jardim de – margaridas - estrelas longínquas, sob esta trémula tempestade sintagmática, em noites distantes, neste chão de palavras, que é mais da parte da noite que me desligo e ouço o plasma das montanhas a fluir, no ar negro, nas narinas, que – papoilas – é mais da parte da noite que acontecem sonhos feitos com o brilho do sol, que ouço sangue a fluir, vida a fluir, que me desligo e aconteço, ouço a textura de velhos poemas, olhos profundos no breu, velhos de longos narizes sentimentais e o ar negro que – celestinas – se me entra nas fossas, que ao meu lado, o teu cheiro transparente, sobre o meu ombro, a memória ainda quente de uma mão tua. Ainda te ouço a ressoar nos corredores da distância e do esquecimento, distantes reverberações do que – prímulas - senti, onde se guarda a infância, onde uma enorme fraqueza me condena a ti e a uma fétida nomenclatura de conceitos obsoletos, com frágeis dedos de futuro, carne fraca do amanhã, dedos de - acácias - frágeis mãos efémeras, o breu completo por onde cirandam as mãos de aranha do passado, escuridão nas ideias, até ao passado no mundo das ideias e uma fraqueza de futuro; o passado recente também, com a sua inexorável consistência de papel, e, assim, de um assim réu, ao hoje nos abraçamos porquanto esta delicadeza requintada do agora nos afaga os sentidos, um afagar principesco mas uma sensorialidade imperial e, assim, de um assim artífice, somos cordeiros do momento; navegantes do já, neste instante, e – rosas - o agora já passou.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/686667878173579436-5795178716216981534?l=porassimdizer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://porassimdizer.blogspot.com/feeds/5795178716216981534/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=686667878173579436&amp;postID=5795178716216981534' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686667878173579436/posts/default/5795178716216981534'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686667878173579436/posts/default/5795178716216981534'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://porassimdizer.blogspot.com/2009/05/flores.html' title='Flores'/><author><name>O Idiota</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16131866748637841674</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://1.bp.blogspot.com/-LA72R_Z3uXs/Tl6VaJ6IuXI/AAAAAAAAADY/iana0oGRJf8/s220/IMG_1330.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-686667878173579436.post-1750178021218044568</id><published>2009-03-30T09:53:00.000-07:00</published><updated>2009-04-02T10:29:26.177-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='motas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='outono'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='férias'/><title type='text'>Borboletas Na Piça</title><content type='html'>Experimento-nos na vereda fria da distância. Sinto que experimentar nos levará a algum lado. Aos lábios grossos dos anjos. Sento-me no vazio que há entre o que somos e o que nos tornamos. O mundo tem demasiada pressa para que eu exista e o amor dança com demasiada habilidade e destreza, em seus truques de prestidigitação. Mas ainda assim vou ver se tiro uns dias para ser feliz - sinto borboletas na piça.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/686667878173579436-1750178021218044568?l=porassimdizer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://porassimdizer.blogspot.com/feeds/1750178021218044568/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=686667878173579436&amp;postID=1750178021218044568' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686667878173579436/posts/default/1750178021218044568'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686667878173579436/posts/default/1750178021218044568'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://porassimdizer.blogspot.com/2009/03/borboletas-na-pica.html' title='Borboletas Na Piça'/><author><name>O Idiota</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16131866748637841674</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://1.bp.blogspot.com/-LA72R_Z3uXs/Tl6VaJ6IuXI/AAAAAAAAADY/iana0oGRJf8/s220/IMG_1330.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-686667878173579436.post-8449747632565207050</id><published>2008-11-14T04:21:00.000-08:00</published><updated>2008-11-24T09:54:56.349-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='literatura poesia  literature general poetry literatura litérature général open litérature ouvert poesia poesia em geral poetry poésie aberta'/><title type='text'>Um Parágrafo Vazio</title><content type='html'>&lt;span style="font-family: courier new;font-family:verdana;font-size:100%;"  &gt;Porque é que a vontade de pegar na esferográfica e redigir estas inglórias &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_0"&gt;didascálias&lt;/span&gt; de pensador menor urge mais veementemente nestes &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_1"&gt;apodos&lt;/span&gt; do declinar sobremaneira ante a ruína que no fundo é a filha pródiga da assexuada ausência do nosso &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_2"&gt;alterego&lt;/span&gt; incomparável? "&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_3"&gt;Paupertas&lt;/span&gt; &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_4"&gt;impulit&lt;/span&gt; &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_5"&gt;audax&lt;/span&gt;", &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_6"&gt;ególatra&lt;/span&gt; inapto &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_7"&gt;vicejando&lt;/span&gt; os &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_8"&gt;apolíneos&lt;/span&gt; anais &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_9"&gt;inextricáveis&lt;/span&gt; nos limites do conhecimento ecuménico, conquanto frágil, Importa-nos muito, isso, agora, Que ao menos uma &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_10"&gt;antífrasezinha&lt;/span&gt;, que ao menos um &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_11"&gt;litote&lt;/span&gt; simples para dar uma &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_12"&gt;corzita&lt;/span&gt; idiomática a este desperdício &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_13"&gt;sorumbático&lt;/span&gt; de quadro; Que ao menos uma &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_14"&gt;referênciazinha&lt;/span&gt; ao latim de Horácio nas Epístolas nos desvie o sentido destas reverberações passionais que Me imolam a alma a divindades absurdas numa merda dum holocausto inofensivo, Que ao menos um final de parágrafo com Mário de Carvalho, que "a vida dos homens comuns é tão &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_15"&gt;complicativa&lt;/span&gt;, ai de nós, como a dos &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_16"&gt;incomuns&lt;/span&gt;", ambos &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_17"&gt;argueiros&lt;/span&gt; atómicos a deambularem pela nulidade niilista do universo sobressaltado sem motivo, que nos abandona à mercê do arbítrio de um oculto aleatório, e o entretanto ter furtado o lugar do posfácio do parágrafo, que havia já destinado às &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_18"&gt;pesadíssimas&lt;/span&gt; palavras  do Sr. Mário, e porquanto somos crianças desprotegidas que minuciosamente se curvam à fria efemeridade deste legado de Tempo, é culpa, grande culpa, desse mesmo senhor, por ter, de algum modo, com o seu condão intelectual,  instigado alguma variante menor de inspiração no Meu paupérrimo vaso da Criação, que - ao menos &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_19"&gt;Zaratustra&lt;/span&gt; - se tivermos em conta que "o criador queria desviar de si os olhares e por isso criou o mundo" e que à parte ulterior da nossa percepto-concepção da realidade marcial desse dito mundo, orgias de anjos, Gestos de poeta e poemas lavados de significado. Embriaguez de palavras: Imponente caminhar de lábios neste entorpecimento analítico, Irrecuperável ondular o &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_20"&gt;postíbulo&lt;/span&gt; do semblante nesta inconsequente metáfora gramatical, neste mero exercício de linguagem, que todas as rosas são eufemismos, todos os poemas, sarcasmos (e o gargalhar de fetos no ventre sensorial), e toda a moção do sentimento, uma antítese unificada. &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_21"&gt;Servimo&lt;/span&gt;-nos deste pacto eterno nesta unidade química "assim como nos servimos de palavras, que são sons articulados de uma maneira absurda, para em linguagem real traduzir os mais íntimos e subtis movimentos da emoção ou do pensamento&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: courier new;font-family:arial,helvetica;font-size:100%;"  &gt;&lt;span style=""&gt;"&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: courier new;font-family:verdana;font-size:100%;"  &gt;, que ainda assim Um Pessoa, que ainda assim Um suave projecto: Rocha de Vida; Ser nobre vegetal ao penetrar o obscuro dos sonhos, sempre com a intuição do tempo, que ao ocaso da ociosidade do leitor mais evoluído, a &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: courier new;font-family:verdana;font-size:100%;"  &gt;felicidade &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: courier new;font-family:verdana;font-size:100%;"  &gt;lhe salve o dia da &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: courier new;font-family:verdana;font-size:100%;"  &gt;perspicácia ou da esperteza e o enriqueça sem significado ao fazê-lo sem fundamento, Que ao menos um fim cada vez mais próximo, nesta pobre estirpe teatral de segundo acto de segunda categoria e sem nexo deste mui vazio e miserável parágrafo.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/686667878173579436-8449747632565207050?l=porassimdizer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://porassimdizer.blogspot.com/feeds/8449747632565207050/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=686667878173579436&amp;postID=8449747632565207050' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686667878173579436/posts/default/8449747632565207050'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686667878173579436/posts/default/8449747632565207050'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://porassimdizer.blogspot.com/2008/11/pargrafo-sobre-o-vazio.html' title='Um Parágrafo Vazio'/><author><name>O Idiota</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16131866748637841674</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://1.bp.blogspot.com/-LA72R_Z3uXs/Tl6VaJ6IuXI/AAAAAAAAADY/iana0oGRJf8/s220/IMG_1330.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-686667878173579436.post-4029974686224751174</id><published>2008-11-04T17:33:00.001-08:00</published><updated>2008-11-05T17:33:50.364-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='literatura poesia  literature general poetry literatura litérature général open litérature ouvert poesia poesia em geral poetry poésie aberta'/><title type='text'>Noite de Nenhum Poeta</title><content type='html'>Sonhei-te sem alma,&lt;br /&gt;Sonhei-te a nu.&lt;br /&gt;Sim. Sonhei-te calma.&lt;br /&gt;Sim, talvez fosses tu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gélido ser errante,&lt;br /&gt;De mente distante,&lt;br /&gt;Eras metade de um instante.&lt;br /&gt;A outra metade, constante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eras só a carne&lt;br /&gt;Sem todo o resto.&lt;br /&gt;Um total desarme.&lt;br /&gt;Um húmido gesto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim não me queria dar,&lt;br /&gt;Não sem antes te mostrar&lt;br /&gt;Tudo que há por dentro&lt;br /&gt;E que a alma é alimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, o corpo parte.&lt;br /&gt;Fica só o espírito,&lt;br /&gt;Fica só a arte&lt;br /&gt;De um ser onírico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje,&lt;br /&gt;Intento poetizar esse sonâmbulo apogeu,&lt;br /&gt;Mas nem sei o que é a versificação.&lt;br /&gt;Aqui, escreve quem nunca leu,&lt;br /&gt;Aqui, a rima não tem direcção,&lt;br /&gt;Pois quem escreve isto não sou eu,&lt;br /&gt;Pois em nada disto há razão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ontem,&lt;br /&gt;Logrou Camões maravilhar com elegias,&lt;br /&gt;Vislumbrou melífluas ninfas, suas musas,&lt;br /&gt;Mais atento que eu ao mundo e suas fantasias.&lt;br /&gt;Depois vieram palavras oblíquas, obtusas,&lt;br /&gt;E na condição de Pessoa, por dinastias,&lt;br /&gt;Leio sem tédio suas palavras doentias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amanhã,&lt;br /&gt;Selarei em ti a parte de trás de um suspiro.&lt;br /&gt;Serás também o meu vazio, o meu retiro.&lt;br /&gt;Tentarei moldar um rosto em tua alma,&lt;br /&gt;Tentarei forçar uma rima na palma&lt;br /&gt;De uma mão tua ou talvez na barriga.&lt;br /&gt;Uma rima bonita. Sim, talvez eu consiga.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/686667878173579436-4029974686224751174?l=porassimdizer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://porassimdizer.blogspot.com/feeds/4029974686224751174/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=686667878173579436&amp;postID=4029974686224751174' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686667878173579436/posts/default/4029974686224751174'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686667878173579436/posts/default/4029974686224751174'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://porassimdizer.blogspot.com/2008/11/noite-de-nenhum-poeta.html' title='Noite de Nenhum Poeta'/><author><name>O Idiota</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16131866748637841674</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://1.bp.blogspot.com/-LA72R_Z3uXs/Tl6VaJ6IuXI/AAAAAAAAADY/iana0oGRJf8/s220/IMG_1330.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-686667878173579436.post-2609983947626016732</id><published>2008-11-03T18:56:00.000-08:00</published><updated>2008-11-14T04:17:29.770-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='literatura poesia  literature general poetry literatura litérature général open litérature ouvert poesia poesia em geral poetry poésie aberta'/><title type='text'>Ou A Morte Dos Sonhos</title><content type='html'>A permuta de dor que nos trouxe&lt;br /&gt;até este ofegante paraíso de fumo azul&lt;br /&gt;trouxe também a palavra sísmica do desejo&lt;br /&gt;e pardas emoções que pertenceram já a outros,&lt;br /&gt;porquanto tudo isto tivera sido autorizado&lt;br /&gt;consentido e planeado neste nosso mundo de Pedras,&lt;br /&gt;pois este cinismo necessário ter-nos-ia impedido&lt;br /&gt;de te dirigir a palavra, forçando em ti&lt;br /&gt;um valor que já não é naturalmente teu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então as Pedras saltaram na penumbra da idade,&lt;br /&gt;num fundamento inventado por vetustas lágrimas&lt;br /&gt;pois toda a razão que porvia a nossa maior verdade&lt;br /&gt;Morrera, perscutando a alma com os sentidos.&lt;br /&gt;Também porque o fogo queimara os amores perdidos,&lt;br /&gt;o chão respirou fundo e a ubiquidade tornou-se inabitável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tomemos, porém e eventualmente, tudo como possível:&lt;br /&gt;As grandes Despedidas na paridade perfeita dos grandes corações gélidos&lt;br /&gt;Ao deixar assombrarem-me o mundo com o horror da promessa perpétua,&lt;br /&gt;Ao reclamarem-me as pálpebras frias à vereda de um resíduo de sonho;&lt;br /&gt;Pois a beleza é maior que a razão&lt;br /&gt;e existe nesta enorme tolice,&lt;br /&gt;Neste enorme pretérito final.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/686667878173579436-2609983947626016732?l=porassimdizer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://porassimdizer.blogspot.com/feeds/2609983947626016732/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=686667878173579436&amp;postID=2609983947626016732' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686667878173579436/posts/default/2609983947626016732'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686667878173579436/posts/default/2609983947626016732'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://porassimdizer.blogspot.com/2008/11/ou-morte-dos-sonhos.html' title='Ou A Morte Dos Sonhos'/><author><name>O Idiota</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16131866748637841674</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://1.bp.blogspot.com/-LA72R_Z3uXs/Tl6VaJ6IuXI/AAAAAAAAADY/iana0oGRJf8/s220/IMG_1330.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-686667878173579436.post-6941314671124081921</id><published>2008-11-03T15:03:00.000-08:00</published><updated>2008-11-24T06:42:58.147-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='literatura poesia  literature general poetry literatura litérature général open litérature ouvert poesia poesia em geral poetry poésie aberta'/><title type='text'>Ósculo</title><content type='html'>Se houvesse uma metáfora física para o momento seria uma efémera valsa vienense, mas dotada de uma promiscuidade engraçada, de uma insalubre imundície de desejo a querer dar a mão e alternar os dedos,&lt;br /&gt;- Sou o pleonasmo e tu a antítese&lt;br /&gt;de um ir embora doce conquanto débil e de um pequeno vazio no estômago pela hora de fechar os olhos e tentar adormecer.&lt;br /&gt;Depois um desequilíbrio espontâneo na dança das tercinas, que concerteza encheu o Verbo de orgulho, cerrou um círculo público de íntimo contentamento que nos engolia o perímetro infinito para lá do alcance da&lt;br /&gt;- Sou o pleonasmo e tu a antítese&lt;br /&gt;percepção dos olhos dos homens; mais uma desconhecida maravilha, mais um glorioso fóssil ferido na confusão poética dos jâmbicos, sáficos ou datílicos das nossas deixas, como se isso contribuísse agora para o equilíbrio deste feliz relato, um estranho contar, de uma felicidade porventura&lt;br /&gt;- Sou o pleonasmo e tu a antítese&lt;br /&gt;concêntrica e mundana, mas que ainda assim riu ao percalço na dança e caíu por ora nas boas graças do Verbo que é inconstante e administra todos os&lt;br /&gt;- Sou o teu predicado&lt;br /&gt;momentos, neste caso com o seu frio reger de ósculo principesco e o seu forte carácter de prostituta; mas que se houvesse uma metáfora para o momento seria uma efémera valsa vienense, isso seria concerteza, com percalços dignos da aprazível promiscuidade, que de início nos parecia uma&lt;br /&gt;- Sou o pleonasmo e tu a antítese&lt;br /&gt;brecha no sistema do tempo, e da tal insalubridade imunda do desejo, que se existe inclusive na poesia parcial de completa confusão dos diálogos que travámos, então é invariavelmente um alexandrino à chuva, um heróico explosivo no ciclo perpétuo da ilusão,&lt;br /&gt;- Sou o pleonasmo e tu a antítese&lt;br /&gt;que se isso realmente existe para além da lógica ao nosso alcance, então é isso a crase da invariável noite.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/686667878173579436-6941314671124081921?l=porassimdizer.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://porassimdizer.blogspot.com/feeds/6941314671124081921/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=686667878173579436&amp;postID=6941314671124081921' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686667878173579436/posts/default/6941314671124081921'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/686667878173579436/posts/default/6941314671124081921'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://porassimdizer.blogspot.com/2008/11/sculo.html' title='Ósculo'/><author><name>O Idiota</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16131866748637841674</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='18' src='http://1.bp.blogspot.com/-LA72R_Z3uXs/Tl6VaJ6IuXI/AAAAAAAAADY/iana0oGRJf8/s220/IMG_1330.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
